Toxicologia - Timerosal: questões sobre sua segurança como conservante de vacinas
22/12/2015 - Timerosal: questões sobre sua segurança como conservante de vacinas

O timerosal é um conservante presente em vacinas multidoses, que são armazenadas por um período sob refrigeração para serem administradas para mais de uma pessoa, e necessitam do conservante para impedir o crescimento de fungos e bactérias. Vacinas contendo timerosal são usadas em vários países em seus calendários vacinais, especialmente aqueles em desenvolvimento, com grandes populações para serem atendidas, como o Brasil. O timerosal contém aproximadamente 50% de mercúrio, na forma de etilmercúrio, e uma vacina contendo 0,01% desse conservante contém 0,25 µg de mercúrio por dose de 0,5 mL.

No Brasil, as vacinas BCG (tuberculose), DTP (difteria, tétano e coqueluche), hepatite B e influenza (gripe) contêm timerosal. A BCG deve ser administrada no primeiro mês de vida, a DTP dos 2 aos 18 meses e a vacina para hepatite B, do primeiro aos 6 meses. A vacina para gripe é sazonal, mas é administrada a partir dos 6 meses até os 5 anos de idade. Além da exposição direta, os bebês podem ser expostos ao timerosal ainda na vida intrauterina pelo cordão umbilical, com a vacinação das mães para tétano, hepatite B e influenza.

As vacinas têm administração intramuscular ou intradérmica, sendo o etilmercúrio totalmente absorvido pelo organismo. Devido à toxicidade conhecida do mercúrio, existe a hipótese de que a administração de vacinas contendo timerosal possa levar a neurotoxicidade e a um aumento na incidência de autismo em crianças expostas.  Um estudo  recente realizado na Região Norte em crianças que tinham recebido vacina contendo timerosal, mostrou que aquelas com maiores níveis de etilmercúrio no cabelo e que consumiam leite materno com maiores níveis de etilmercúrio e chumbo tinham déficit no desenvolvimento neurológico. Um segundo estudo conduzido posteriormente na mesma região não confirmou estes achados.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) avaliou em 2006 o uso de timerosal como conservante de vacinas e concluiu pela sua segurança, uma vez que não foram comprovados riscos à saúde. Nos Estados Unidos, o Instituto de Medicina concluiu em 2004, após avaliar estudos conduzidos em vários países sobre que investigaram a relação entre timerosol e autismo,  que os benefícios  da  vacinação são claros e que a hipótese de populações suscetíveis é especulativa no momento. Da mesma maneira, o Ministério da Saúde considera seguro o uso do timerosal e mantém as vacinas com esta substância dentro do calendário vacinal. Deve-se ressaltar que países com grandes populações, como o Brasil, o uso de vacinas individuais (sem timerosal) aumentaria muito o custo de vacinação e poderia comprometer o alcance do programa vacinal. Ao mesmo tempo, Estados Unidos e alguns países europeus estão reduzindo o número de vacinas com timerosal visando a diminuição da exposição humana a mercúrio.

Considerando que não há comprovação clara de que o uso de vacinas contendo timerosal causem danos à saúde dos bebês, e que a vacinação imuniza o bebê contra doenças sérias, como a meningite, que podem causar graves danos à saúde, inclusive a morte, a relação custo-benefício do uso de vacinas com o uso de timerosal como conservante é positiva. Desta maneira é importante que os pais e responsáveis sigam de maneira correta o  calendário vacinal.

 

Referências Bibliográficas

Dorea JG, Farina M, Rocha JBT. Toxicology of ethylmercury (and Thimerosal): a comparison with methylmercury. Applied Toxicology. 2013; 33: 700-711.

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World Health Organization (WHO). Statement of Thimerosal. The Global Advisory Committee on Vacine Safety, 2006. Disponível em: http://www.who.int/vaccine_safety/committee/topics/thiomersal/statement_jul2006/en/ Acessado em: dezembro/2015

   

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