Toxicologia - Intoxicações humanas no Distrito Federal
28/10/2016 - Intoxicações humanas no Distrito Federal

A principal fonte de dados sobre intoxicações humanas em qualquer país são os sistemas de informação toxicológica, que no Brasil é responsabilidade do Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológica (SINITOX) que compila informações dos Centros de Informação Toxicológicos (CIT) localizados nos estados e no Distrito Federal (DF). Outras fontes importantes de dados de intoxicação no Brasil são o Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), o Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM), e os institutos de medicina legal (IML). Em 2011, a intoxicação por substâncias químicas foi considerada agravo de notificação compulsória (Portaria Ministerial n.º 104, de 25 de janeiro 2011), medida que teve um impacto importante no número de registros nos Sistemas.

Estima-se que 3 a 7% dos pacientes procuram as emergências por apresentam algum agravo à saúde relacionado à exposição a agentes tóxicos (BRENT, 2005). De acordo com o último relatório do SINITOX, em 2012 foram registrados 102.822 casos de intoxicações exógenas no Brasil (SINITOX, 2015). Os principais agentes tóxicos envolvidos foram medicamentos (27%), domissanitários (8%), agrotóxicos (7%) e animais peçonhentos.

Entre 2009 e 2013, o CIT-DF registrou 5.676 intoxicações humanas ocorridas no Distrito Federal, principalmente envolvendomedicamentos, domissanitários e animais peçonhentos. Os acidentes (principalmente com crianças de 0-4 anos) e tentativas de suicídio (adolescentes e adultos jovens) foram as principais circunstâncias. Foram 51 óbitos notificados, sendo a maioria homens, causada por suicídio com agrotóxico.

No mesmo período, 5.740 casos de intoxicações humanas exógenas foram registrados no SINAN-DF, também envolvendo principalmente medicamentos,  domissanitários e agrotóxicos. Os intoxicados em sua maioria tiveram atendimento hospitalar, e dos 16 óbitos registrados, 11 foram por suicídios, dos quais 5 causados por medicamentos, 5 por raticidas (principalmente chumbinho) e 1 por  agrotóxico.

No total, 295 óbitos por intoxicação exógena foram registrados pelo SIM-DF entre 2009 e 2013, principalmente na Ceilândia e Taguatinga. A maioria dos óbitos envolveu homens solteiros, de 20 a 59 anos, e 12 casos ocorreram com crianças até 4 anos. O IML-DF reportou no mesmo período 47 casos confirmados de óbito por intoxicação e envenenamento, com prevalência homens entre 40 e 59 anos, 15 suicídios e 9 casos envolvendo raticidas. Em 27% dos óbitos, foram encontrados nas análises de necropsia drogas de abuso, álcool, medicamentos, agrotóxicos ou produtos químicos industriais. transfer news

Os dados de intoxicações humana no Distrito Federal obtidos de várias fontes de informação (CIT, SINAM, SIM e IML) indicam uma potencial subnotificação, principalmente quando se avalia o número de óbitos. A subnotificação de doenças e agravos é frequente, o que compromete análises confiáveis sobre eventos que exigem políticas de monitoramento e resolução (SANTOS et al., 2014). Os sistemas de toxicovigilância devem ser avaliados periodicamente, visando tornar mais efetivas e ágeis as medidas de controle de eventos adversos à saúde.O treinamento dos profissionais de saúde(principalmente médicos e enfermeiros) desde a graduação até cursos de capacitação profissional são muito importantes para que ele perceba a importância da notificação para a manutenção ou mudanças das políticas de saúde.

Referências

Brent, J. Critical care toxicology : diagnosis and management of the critically poisoned patient.1st. St. Louis: Mosby, xxix, 1690 p. 2005.

FIOCRUZ/CICT/SINITOX. Fundação Oswaldo Cruz/Centro de Informação Científica e Tecnológica/Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas. Estatística Anual de Casos de Intoxicação e Envenenamento. Brasil, 2015. [acessado 2015 Mar 24]. Disponível em: http://www.fiocruz.br/sinitox

Ministério da Saúde, Portaria Ministerial n.º 104, de 25 de janeiro de 2011. [acesso em 2014 nov7]. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis

Santos, As, Legay, Lf, Aguiar, Fp, Lovisi, Mg, Abelha, L, Oliveira, SP. Tentativas e suicídios por intoxicação: análise das informações. Cad. Saúde Pública. 2014; v.30 (5): 1057-1066.

 

   

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