Toxicologias - Tem medicamento veterinário no seu leite?
11/02/2014 - Tem medicamento veterinário no seu leite?

  Érica Pacheco Silva, mestre e doutora em Química Analítica

A presença de resíduos de medicamentos veterinários e/ou seus metabólitos nos alimentos de origem animal, como carne,    leite e ovos,é consequência do uso terapêutico ou profilático destes produtos no animal (Kan e Petz, 2000).  O uso exagerado e/ou indevido, o não cumprimento dos períodos de carência, entre outros fatores, pode deixar resíduo acima dos limites estabelecidos, podendo também representar um risco para o consumidor. Adicionalmente, substâncias ilegais, como os antimicrobianos nitrofuranos, ou não permitidas para determinada espécie animal podem ser utilizadas inadequadamente pelo produtor (BRASIL, 1999).

     A exposição humana a esses resíduos pode causar efeitos adversos, incluindo reações alérgicas em indivíduos hipersensíveis (Le Bizec et al., 2009), câncer (Littlefield et al., 1990; Dasenaki e Thomaidis, 2010), provocar o desenvolvimento de microrganismos resistentes e causar problemas tecnológicos nos processos de fermentação dos laticínios (Nascimento et al., 2001; Aguilera Luis et al., 2008).

    No Brasil, há dois programas que monitoram a presença de resíduos de medicamentos veterinários em produtos de origem animal. O Programa Nacional de Controle de Resíduos e Contaminantes (PNCRC), coordenado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), analisa carne, leite, ovos, mel e pescado. O Programa de Análise de Resíduos de Medicamentos Veterinários em Alimentos (PAMVet), da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), analisa leite UHT, leite em pó e leite pasteurizado. Estes programas têm encontrado resíduos de avermectinas, sulfonamidas, eritromicina, tetraciclinas e betalactâmicos em leite, e nitrofuranos em amostras de carne de frango.

    Em geral, os níveis desses compostos nos alimentos são muito baixos, as matrizes são complexas, o que torna a análise dos resíduos um desafio (Ridgway, 2007 e Prestes, 2009). O desenvolvimento de metodologias multirresíduos tem se tornado cada vez mais importante, devido a grande variedade de substâncias utilizadas pelos produtores de alimentos e os baixos níveis solicitados pelas agências reguladores.

Referências
Kan, C. A.; Petz, M.; J. Agric. Food Chem. 2000, 48, 6397.
BRASIL; Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento. Diário Oficial da União: Brasília, 17 de fevereiro de 1999.
Le Bizec, B.; Pinel, G.; Antignac, J.; J. Chromatogr., A, 2009, 1216, 8016.
Littlefield,  N. A.; Sheldon, W. G.; ALLEN R.; GAYLOR, D. W.; Fd Chem. Toxic. 1990, 28, 157.
Dasenaki, M. E.; Thomaidis, N. S.; Anal. Chim. Acta 2010, 672, 93.
Nascimento, G. G. F.; Maestro, V.; Campos, M. S. P.; Rev. Nutr. 2001, 14, 119.
Aguilera-Luiz, M. M.; Vidal, J. L. M.; Romero-González, R.; Frenich, A. G.; J. Chromatogr., A 2008, 1205, 10.
Ridgway, K.; Lalljie, S.P.D.; Smith, R,M.; J. Chromatogr., A 2007, 1153, 36.
Prestes, O.D.; Friggi, C.A.; Adaime, M.B.; Zanella, R.; Quim. Nova 2009, 6, 1620.
   

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