Toxicologia - Intoxicaes exgenas um risco sempre presente
05/05/2017 - Intoxicaes exgenas um risco sempre presente

Dra. Andrea Amoras Magalhães, Centro de Informação Toxicológica do Distrito Federal

As intoxicações exógenas são importantes causas de morbidade e mortalidade, no mundo, sendo um dos principais acidentes pediátricos, respondendo por aproximadamente 7% de todos os acidentes em crianças menores de cinco anos, e dentre os jovens de 15-19 anos. Os medicamentos são os principais agentes envolvidos nas intoxicações, inclusive no Brasil, principalmente sob circunstância acidental. Por outro lado,cerca de 30% de suicídios no mundo ocorrem pela ingestão de agrotóxicos, percentual que varia entre 4% na região europeia para mais de 50% na região do Pacífico Oriental. No Brasil, o raticida ilegal chumbinho, preparado a partir de agrotóxicos, principalmente organofosforados e carbamatos, continua sendo um dos principais agentes envolvidos nas intoxicações, na maioria das vezes fatais.  

Segundo dados do Centro de Informação Toxicológica do Distrito Federal (CIT-DF), 3622 casos de intoxicação exógena foram atendidos nos hospitais da região entre 2009 e 2013, dos quais 53% envolveram acidentes com crianças de até 9 anos. No mesmo período, foram reportados 5702 casos ao Sistema de Informação de Agravos Notificáveis (SINAN-DF), com cerca de 34% envolvendo crianças. Os medicamentos foram o principal agente tóxico envolvidos nos casos em ambos sistemas (40%, principalmente benzodiazepínicos), além de produtos de limpeza, raticidas (incluindo o chumbinho) e pesticidas. As mulheres foram as mais acometidas (52-54%), e as tentativas de suicídio corresponderam a cerca de 1/3 dos casos do SINAN-DF.

 Dados do CIT-DF, SINAM-DF, do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM-DF) e do Instituto Médico Legal mostraram que 338 casos de intoxicação exógena fatal ocorreram no Distrito Federal entre 2009 e 2013, principalmente envolvendo homens (67,2%), e 11 casos acidentais com crianças de até 6 anos. Medicamentos (48,7%) e agrotóxicos ou chumbinho (29,9%) foram os principais agentes envolvidos, sob circunstâncias acidentais (50,8%) ou suicídio (47,7%). Mais de 70% dos casos letais foram reportados em apenas um sistema (principalmente o SIM), e apenas 1 caso foi reportado pelos quatro sistemas. A subnotificação de casos letais foi mais importante no SINAM-DF (somente 18), principalmente porque o campo de evolução do paciente não está preenchido na maioria dos casos nesse sistema. No total, 48 casos de intoxicações fatais não foram notificados ao SIM, provavelmente por terem sidos classificados como óbito devido a outras causas. O principal problema identificado nos casos do IML foram deficiências no preenchimento da declaração de óbito, que leva a um número muito grande de fatalidades de causa violenta sem identificação do agente. O IML, porém, foi importante para identificar casos letais com álcool, pouco reportados nos outros sistemas.

Este estudo mostrou que as notificações de casos de intoxicação exógena nos sistemas de vigilância do Distrito Federal são deficientes, com subnotificação e baixa completude dos dados nos sistemas estudados, demandando atenção das autoridades de saúde para seu aprimoramento para subsidiar ações de prevenção, além da assistência e recuperação da saúde de pacientes expostos, principalmente as crianças. Informações detalhadas sobre este estudo podem ser encontradas no http://www.toxicologia.unb.br/admin/ckeditor/kcfinder/upload/files/Tese%20final%20Andrea%20Amoras-completa.pdf.

 

Literatura

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SINITOX (Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas) FIOCRUZ. Fundação Oswaldo Cruz. Centro de Informação Científica e Tecnológica. Estatística anual de casos de intoxicação e envenenamento. Brasil, 2017. Disponível em: <http://sinitox.icict.fiocruz.br/dados-nacionais>.

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