Toxicologia - O risco do uso de anabolizantes
05/12/2016 - O risco do uso de anabolizantes
Dra. Diana Brito da Justa Neves, Perita da Policia Federal
 
Os anabolizantes são uma classe de fármacos derivada da testosterona, usados em tratamentos de deficiências androgênicas no envelhecimento masculino, para regeneração dos tecidos e queimaduras extensas, no tratamento de alguns tipos de anemia, osteoporose e alguns tipos de câncer de mama.
 
Como os anabolizantes provocam aumento da força e da massa muscular, esses medicamentos são usados abusivamente por praticantes de atividade física, fisiculturistas e atletas profissionais buscando melhorar seu desempenho. O primeiro registro do uso de anabolizantes no esporte profissional foi no campeonato mundial de levantamento de peso de 1954. Em 1976 os anabolizantes foram banidos do esporte pela Agência Mundial Anti-Doping, o que não impediu seu uso disseminado por atletas de elite. Dos 3866 casos de doping detectados pela Agência em 2014, 50% estavam relacionados ao uso de anabolizantes.
 
Os anabolizantes apresentam uma ampla gama de efeitos adversos, em sua maioria dose-dependentes e não necessariamente reversíveis com a cessação do uso. Esses efeitos incluem danos no fígado, acne, perda de cabelo, virilismo em mulheres (hipertrofia do clitóris, alteração da voz, irregularidades menstruais), crescimento de mamas, atrofia testicular e impotência em homens, além do fechamento precoce das epífises em crianças e adolescentes, prejudicando o crescimento ósseo.
 
No Brasil, os anabolizantes estão sujeitos à receita de controle especial em duas vias, o que leva muitos usuários adquirirem estes medicamentos no mercado clandestino, que normalmente oferece produtos falsos. Os anabolizantes são um dos medicamentos mais falsificados no mundo; no Brasil, estão atrás apenas dos medicamentos para disfunção erétil.
 
Produtos falsos representam um grande risco à saúde dos seus usuários. Não há nenhuma garantia sobre a identidade e concentração do fármaco presente ou se que existe algum no produto; os excipientes podem ser tóxicos e não existe nenhum controle de qualidade durante a fabricação do produto, que muitas vezes acontece sob condições péssimas de higiene. Como muitos anabolizantes são usados por via intramuscular, são comuns casos de abcessos, que podem evoluir para a amputação de membro. 
 
Cerca de 10% de todos os medicamentos periciados pela Policia Federal brasileira são falsos, e grande parte dos anabolizantes no mercado clandestino brasileiro é composta por produtos estrangeiros contrabandeados ou produtos falsos, que chegam a mais de 40% dos produtos periciados. Estes produtos contêm nenhuma substância ativa ou substancias diferentes ou e em concentrações distintas daquelas descritas na embalagem, além de uma ampla gama de embalagens falsas, nem todas facilmente distinguíveis dos produtos originais.
 
É necessário que as autoridades sanitárias brasileiras alertem a população para o risco potencial envolvido no consumo indiscriminado de medicamentos anabolizantes, principalmente aqueles falsos, que trazem um risco adicional ao consumidor devido à baixa qualidade desses produtos.
 
 
 
Literatura adicional
 
1.    Shahidi, N.T. A Review of the Chemistry, Biological Action, and Clinical Applications of Anabolic-Androgenic Steroids. Clinical Therapeutics 23 (9), 2001, p. 1355 – 1390.
 
2.    Kicman, A.T. Pharmacology of anabolic steroids. British Journal of Pharmacology 154, 2008, p. 502 – 521
 
3.    Agência Mundial Anti-Doping. 2014 Anti-Doping Testing Figures. 
 
4.    Ravane Ament Marcheti. Dissertação de Mestrado. Pós Graduação em Ciências Farmacêuticas. Universidade de Brasília. 2014. http://www.toxicologia.unb.br/admin/ckeditor/kcfinder/upload/files/Disserta%C3%A7%C3%A3o_Ravane%20Gracy%20Ament%20Marcheti%20final%2004%2012.pdf
 
5.    Diana Brito da Justa Neves. Tese de Doutorado. Graduação em Ciências Farmacêuticas. Universidade de Brasília. 2016.  http://www.toxicologia.unb.br/admin/ckeditor/kcfinder/upload/files/Tese%20Diana%20Final.pdf
   

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